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sexta-feira, maio 26, 2006

A obsessão por um "emprego estável"

Já o mencionei aqui antes, mas quero aprofundar mais esta questão, já que a considero um dos maiores problemas neste país: a obsessão por um “emprego estável”.
Pelo que leio e vejo, isto não é assim tão mau lá fora, mas cá é terrível. A ideia de alguém trabalhar por conta própria, não tendo um emprego, um patrão, e um ordenado ao fim do mês é completamente impensável. Somos fanáticos pela questão da “segurança”, de termos o ordenado fixo todos os meses. Deixar de ter essa “rede de segurança”? Nem pensar!
Acho que grande parte disso vem da nossa história - tanto o salazarismo como o semi-comunismo/socialismo que se seguiu são filosofias colectivistas. O incerto aterroriza-nos; mesmo que detestemos o que fazemos, mesmo que ganhemos mal, “há tanta gente desempregada…” o melhor é ficar-se onde se está. E assim toda a gente parece pensar.
Outro “problema” de se trabalhar por conta própria é que isso obriga a ser-se bom, criativo, competente, original. Para mim, a ideia de ganhar em função do que faço (ao invés de algo fixo) é um sonho; para a maioria das pessoas é um pesadelo, porque estão conscientes da sua incompetência. Mas as leis deste país são suficientemente colectivistas para que quase ninguém (especialmente, mas não só, na função pública) seja despedido por incompetência. Um “emprego estável” equivale, para muita gente, a “posso trabalhar tão pouco e tão mal quanto quiser, mas tenho o ordenado no fim do mês”.
E toda a evolução, ou “crescimento”, segundo esta mentalidade, vem de promoções, que acontecem apenas por duas razões: tempo na empresa, ou cunhas. Ninguém, cá, é promovido por fazer um bom trabalho, por fazer o trabalho de várias pessoas, por desenvolver processos novos que poupam milhões a uma empresa ou departamento.
Em resumo, senhoras e senhores, somos uns cobardes inúteis. Umas criancinhas aterrorizadas.
Por eu querer trabalhar por conta própria - e isso não está tão longe como já esteve -, tenho lido bastante sobre o assunto, e uma das coisas que mais me ficou na cabeça foi o que ouvi num podcast do Steve Pavlina: que o tempo em que estamos a trabalhar para outros, para uma empresa, é tempo desperdiçado. Tempo em que não evoluímos, em que só mantemos, só estagnamos. Tempo em que não estamos a melhorar as nossas vidas, não estamos a crescer, não estamos a fazer o que podíamos fazer, com algum trabalho, criatividade e inteligência. Qualidades desperdiçadas se trabalhas para alguém e tens um ordenado fixo. Só a empresa é que ganha, tu não.
Infelizmente, parece-me que só eu é que vejo isto assim; quase toda a gente que conheço parece partilhar da tal obsessão por estabilidade (por muito má que esta seja), e mesmo amigos e família, em geral, reagem com um “estás maluco!?” quando lhes digo que não quero acabar o ano empregado.

* “E se alguma coisa corre mal?”
* “Mesmo que faças outras coisas nos tempos livres, não é melhor manteres o emprego, por uma questão de segurança?”
* “Isso é tudo muito incerto! E se os blogs forem só uma moda, e esta passar?”
* “Sem um emprego fixo, nunca podes saber como vai ser o dia de amanhã.”
* “Há tanta gente desempregada, tu não sabes é a sorte que tens!” (esta é linda…)

Paciência. O incerto, o novo, significa caos, mas sem caos não há mudança, e sem mudança não há crescimento.

1 Comentários:

Anonymous Rodrigo said...

Concordo plenamente com tudo o q referiu neste post...E veio mesmo a calhar visto que acabei de ficar desempregado e tenho de começar a procurar trab ou algo pra fazer... E neste país...enfim...nem há comentários...

10:33 da tarde  

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